UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS, COMUNICAÇÃO E ARTES
CURSO DE BIBLIOTECONOMIA
ANTONIO PORFÍRIO
DESCRIÇÃO CONCEITUAL DE BIBLIOTECAS: ELETRÔNICA, DIGITAL E VIRTUAL,
CATÁLOGOS ON-LINE E REPOSITÓRIOS INSTITUCIONAIS
MACEIÓ/2011
Trabalho acadêmico para obtenção de nota referente à 2ª avaliação da disciplina Informática Aplicada à Biblioteconomia 2, ofertada no 3º período e ministrada pelo Prof. Me. Ronaldo Ferreira de Araújo.
1 INTRODUÇÃO
O desenvolvimento das bibliotecas no decorrer do tempo segue um padrão onde cada etapa de evolução tem suas características singulares e visível dependência da tecnologia da época.
Os serviços informacionais sofreram redefinições em nível mundial, através das tecnologias da informação e da internet.
Essa realidade chegou às bibliotecas que viram a vantagem de oferecer seus serviços e produtos na web, como por exemplo, disponibilizar serviços on-line, incluindo o acesso remoto aos seus catálogos.
A adaptação das bibliotecas às novas tecnologias pôde ser mais bem vista nos últimos anos. As mudanças advindas com a sociedade da informação provocaram substanciais alterações nos hábitos de tratamento do conhecimento. Essa situação reflete-se também no gerenciamento de acervos bibliográficos, de produtos e serviços informacionais.
Atualmente a utilização de tecnologias da informação nos mais variados segmentos de produção e serviços é uma condição imprescindível. Destarte, a biblioteca está inserida neste processo de evolução informacional.
2 BIBLIOTECA ELETRÔNICA
2.1 Definição
A biblioteca eletrônica é o termo que se refere ao sistema no qual os processos básicos da biblioteca são de natureza eletrônica, o que implica ampla utilização de computadores e de suas facilidades na construção de índices on-line, busca de textos completos e na recuperação e armazenagem de registros. A biblioteca eletrônica se direcionará para ampliar o uso de computadores na armazenagem, recuperação e disponibilidade de informação, podendo envolver-se em projetos para a digitalização de livros. Haverá um uso extensivo de meios eletrônicos que ainda coexistirão com as publicações eletrônicas e será possível remeter-se ao bibliotecário e aos “sistemas especialistas”.
2.2 Exemplo
A Scientific Electronic Library Online – SciELO é uma biblioteca eletrônica que abrange uma coleção selecionada de periódicos científicos brasileiros. A SciELO é o resultado de um projeto de pesquisa da FAPESP – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, em parceria com a BIREME – Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde. A partir de 2002, o Projeto conta com o apoio do CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico. O Projeto tem por objetivo o desenvolvimento de uma metodologia comum para a preparação, armazenamento, disseminação e avaliação da produção científica em formato eletrônico.
2.3 Link
http://www.scielo.br/?lng=pt
3 BIBLIOTECA DIGITAL
3.1 Definição
A biblioteca digital difere das demais, porque a informação que ela contém existe apenas na forma digital, podendo residir em meios diferentes de armazenagem, como as memórias eletrônicas (discos magnéticos e óticos). Desta forma, a biblioteca digital não contém livros na forma convencional e a informação pode ser acessada, em locais específicos e remotamente, por meio de redes de computadores.
A grande vantagem da informação digitalizada é que ela pode ser compartilhada instantânea e facilmente, com um custo relativamente baixo.
Segundo Dagobert Soergel (1999), em um texto intitulado Digital Libraries and Knowledge Organization, o termo Digital Library (DL) é usado para se referir a uma gama de sistemas, de repositórios de objetos digitais e metadados, sistemas referenciais compostos de links, arquivos e sistemas de gestão de conteúdos a sistemas complexos que integram serviços avançados de biblioteca digital.
3.2 Exemplo
A World Digital Library (WDL), em português Biblioteca Digital Mundial é uma biblioteca digital projetada pela biblioteca do Congresso dos Estados Unidos da América e pela UNESCO em parceria com mais 31 outras instituições de vários países.
O objetivo é dispor em meio eletrônico pela internet conteúdo das mais variadas mídias, inicialmente nos idiomas árabe, chinês, espanhol, francês, inglês, português e russo. Foi inaugurada em 21 de abril de 2009, contando com um acervo de 1.208
itens.
3.3 Link
http://www.wdl.org/
4 BIBLIOTECA VIRTUAL
4.1 DefiniçãoA biblioteca virtual é conceitualizada como um tipo de biblioteca que, para existir, depende da tecnologia da realidade virtual. Neste caso, um software próprio acoplado a um computador sofisticado reproduz o ambiente de uma biblioteca em duas ou três dimensões, criando um ambiente de total imersão e interação. É então possível, ao entrar em uma biblioteca virtual, circular entre as salas, selecionar um livro nas estantes, “tocá-lo”, abri-lo e lê-lo.
Este tipo de biblioteca não é o mesmo que uma biblioteca de realidade virtual, porque o conceito de “biblioteca virtual” está relacionado com o conceito de acesso, por meio de redes, a recursos de informação disponíveis em sistemas de base computadorizada, normalmente remotos.
A essência da biblioteca de realidade virtual apresenta uma aplicação de programas de computador para simular estruturas físicas de bibliotecas, ordenando os recursos de informação que ela contém: andares, salas e estantes. Os dados bibliográficos podem ser acessados via uma interface, que aparece na tela como uma sala com estantes, na qual um usuário pode navegar e controlar utilizando um aparelho especial, como um mouse de três dimensões, por exemplo.
4.2 Exemplo
Library of Congress – National Digital Library Instituição: Governo dos Estados Unidos da América Serviços e Produtos: disponibiliza documentos do seu acervo que não estão sujeitos à lei de direitos autorais – coleções de informações – hypertextos – index de recuperação de texto, imagem e som.
4.3 Link
http://lcweb.loc.gov/
5 CATÁLOGOS ON-LINE
5.1 Definição
O catálogo é um elemento de acesso e gerenciamento bibliográfico disponível em uma biblioteca ou grupos de bibliotecas, essencial à busca e recuperação da informação, através de seus pontos de acesso. No passado a definição de catálogo apenas associava aos livros de uma biblioteca. Na atualidade, a definição de catálogo parou de estar ligada exclusivamente ao livro e ser compreendido também como um meio de comunicação. Mey (1995, p. 9 apud PAIVA, 2011, p. 3) conceitua catálogo como:
[...] um canal de comunicação estruturado, que
veicula mensagens contidas nos itens, e sobre os
itens, de um ou vários acervos, apresentando-se
sob forma codificada e organizada, agrupadas por
semelhanças, aos usuários desse(s) acervo(s).
A área que estuda os catálogos é entendida como catalogação e Mey (1995, p. 5 apud PAIVA, 2011, p. 3) a define como: “[...] estudo, preparação e organização de mensagens codificadas, com base em itens existentes ou passíveis de inclusão em um ou vários acervos, de forma a permitir interseção entre as mensagens contidas nos itens e as mensagens internas dos usuários.”. Segundo Costa e Aguiar (2010, p. 3 apud PAIVA, 2011, p. 3) a catalogação:
[...] não é simplesmente uma técnica de elaboração
de catálogos ou de listagem de itens como
muitos consideravam, mas sim uma técnica de representação
de um item através de suas características
e do conhecimento do usuário. Por meio
da catalogação é possível a reunião de diversos
itens pelas suas semelhanças.
De forma resumida o catálogo deve ser o instrumento que levará ao usuário informações elaboradas pela catalogação sobre os acervos selecionados, de modo claro, possibilitando assim a diminuição de tempo em uma pesquisa.
5.2 Evolução
Os catálogos existem desde o surgimento das bibliotecas, fato datado aproximadamente por volta de 600 a.C. na biblioteca de Assurbanipal. Os catálogos até o século XIX eram vistos somente como listas de itens existentes em bibliotecas.
Depois da explosão de publicação, proporcionada pela imprensa de Gutenberg, em 1839 na Inglaterra o bibliotecário Anthony Panizzi em um trabalho com colaboradores, desenvolveu noventa e uma regras de catalogação (Batalha das Regras).
Em 1876 uma importante instituição para a Biblioteconomia foi fundada a American Library Association (ALA) criada com a principal meta de desenvolver um código de catalogação. No ano de 1908 se publica a primeira edição do código da ALA intitulada Catalog Rules: author and title entries, contando com a participação de Charles Ammi Cutter.
A Library of Congress (LC), cria em 1901 fichas catalográficas que são a partir de então também comercializadas. Com este fato surgem os padrões no processo de catalogação. Em diversos locais, normas de padronização para a catalogação são criadas, Mey (1995, p. 23 apud PAIVA, 2011, p. 5) confirma esse fato ao dizer que:
“Simultaneamente, publica-se, na Alemanha, a
segunda edição das Instruções prussianas, que
alcançaram grande aceitação na Europa, enquanto
o código da ALA era bem-recebido nos Estados
Unidos e outros países. Buscou-se, então, uma
compatibilidade entre ambos. Mas a tão desejada
padronização internacional só chegaria muito mais
tarde.”
5.3 OPACs
Denominados de OPACs – em inglês On-line Public Access Catalogs, ou, em português catálogos on-line de acesso público – ou ainda catálogo em linha, são catálogos automatizados vistos como instrumentos que realizam pesquisas bibliográficas através de materiais ligados a sistemas computacionais e surgem com o propósito de facilitar a recuperação da informação de um modo mais rápido e eficiente pelos usuários.
Com a automatização dos catálogos, novos mecanismos de busca surgiram, a exemplo dos operadores booleanos para restringir e facilitar as pesquisas dos usuários. Esses comunicam ao catálogo como mesclar as palavras de uma pesquisa. São eles: AND, OR e NOT e significam, respectivamente, E, OU e NÃO. Para Oliveira (2008, p.3 apud PAIVA, 2011, p. 8):
Os catálogos on-line tornam possível a utilização
de vários dos recursos, ocorrendo grande dinami-
cidade no uso dos sistemas e no acesso às informações,
possibilitando o acesso de um item no
mesmo momento por uma infinidade de usuários.
Funcionam como parte da biblioteca da realidade
virtual e apresentam-se com estruturas de bibliotecas
físicas.
A primeira geração dos OPACs possibilitava a recuperação da informação apenas pelos pontos de acesso: título, número de classificação, assunto e palavra-chave.
A segunda geração apresentou melhoria quanto às limitações da primeira. A terceira geração é caracterizada por melhor usabilidade no que tange a interface, valendo-se até, do uso de palavras em linguagem natural.
5.4 Exemplo
Catálogo Público de Bibliotecas Brasileiras – Brazilian Online Public Access Catalog.
5.5 Link
http://www.elysio.com.br/site/phlnet_index.html
6 REPOSITÓRIOS INSTITUCIONAIS
6.1 Definição
Os conceitos de bases de dados e repositórios digitais se assemelham bastante. Ambos servem para armazenar documentos. A diferença é que os repositórios digitais, em sua maioria, armazenam o documento integral. Do ponto de vista técnico de informática, ambos os mecanismos guardam o mesmo conceito e são constituídos de um conjunto de arquivos estruturados com o propósito de registrar e disseminar uma documentação. Seja ela científica ou de qualquer outro teor.
Em algum momento, as bases de dados eram predominantemente referenciais, ou seja, não armazenavam o inteiro teor dos documentos, apenas o que chamamos hoje de metadados, na época, os campos que descreviam um determinado documento.
Repositórios digitais de informação são sistemas de informação que armazenam, preservam, divulgam e dão acesso produção intelectual de comunidades Científicas. Estes são multidisciplinares estão sempre on-line e em formato digital.
Os repositórios digitais são tipados em institucionais, temáticos, centrais ou departamentais.
6.2 Exemplo
UL é o repositório institucional da Universidade de Lisboa. Os objetivos do repositório são: Promover o acesso livre e contribuir para aumentar o impacto da investigação desenvolvida na universidade de Lisboa; incrementar a visibilidade e a acessibilidade da produção científica e facilitar a gestão da informação sobre a sua produção científica; contribuir para aumentar a visibilidade da UL e dos que nela trabalham, servindo como indicador tangível da sua qualidade e da relevância científica, económica e social das suas atividades de investigação e ensino, por fim,
preservar a memória intelectual da UL.
6.3 Link
http://repositorio.ul.pt/
7 REFERÊNCIAS
COSTA, Isabel Cristina Pereira da; AGUIAR, Terezinha Pereira. A funcionalidade da
catalogação: do livro aos recursos educacionais digitais. In: ENCONTRO NACIONAL
DOS ESTUDANTES DE BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO, GESTÃO E CIÊNCIA
DA INFORMAÇÃO, 33., 2010, João Pessoa. Anais… Disponível em:
<http://dci.ccsa.ufbb.br/enebd/índex.php/enebd/article/view/4>. Acesso em: 22 nov.
2011.
GUEDES, J.B. Catálogos online: disponibilização das bibliotecas universitárias brasileiras.
In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS…, Rio de. Janeiro: 2002.
OHIRA, Maria de Lourdes B., PRADO, Noêmia S. Bibliotecas virtuais e digitais: análise
dos artigos de periódicos brasileiros (1995/2000) Ciência da Informação, Brasília,
v.31, n.1, p.61-74, jan./abr. 2002
LEITE, Fernando César Lima. Como gerenciar e ampliar a visibilidade da informação
científica brasileira: repositórios institucionais de acesso aberto. IBICT. 2009. Brasília.
PAIVA, Rodrigo Oliveira de. ON-LINE PUBLIC ACCESS CATALOGS: um estudo
dos catálogos on-line. UFPA, 2011.