TonySoftwares Blog

Dissolvendo conteúdos de interesse plural

Navegando Posts marcados como Biblioteconomia

UNIVERSIDADE FEDERAL  DE ALAGOAS
INSTITUTO DE  CIÊNCIAS HUMANAS,  COMUNICAÇÃO E ARTES
CURSO DE BIBLIOTECONOMIA

ANTONIO PORFÍRIO / MALBA DO NASCIMENTO SILVA

LEITURA NA ESCOLA: PROBLEMAS E TENTATIVAS DE SOLUÇÃO

MACEIÓ/2011

O trabalho  corresponde ao  capítulo intitulado Leitura na  escola: problemas e tentativas de solução do livro Leitura na escola / Silva, Ezequiel Theodoro. São Paulo:  Global, 2008.  Atividade apresentada  em seminário  (11/11/2011) para  a disciplina  Leitura e Biblioteca,  ofertada  no 3º  período  e ministrada  pela docente Profa. Me. Clarice Vanderlei Ferraz.

§  INTRODUÇÃO

A obra  foca as  circunstâncias atuais  de como  acontece o relacionamento entre leitores  e livros  nas escolas.  Explora a  perspectiva de  produzir condições favoráveis a formação de sujeitos leitores no âmbito escolar.

Analisa as políticas de leitura para educação básica tornando-a essencial,  para a compreensão da intencionalidade e a efetividade política destas na escola.

Aborda o mecanismo de implementação e organização das bibliotecas escolares,  os programas de fomento à biblioteca, ao livro e à leitura nos espaços escolares.

Por fim, o autor expõe ideias acerca da prática de leitura no contexto escolar e afirma haver grandes possibilidades de implantação e reprodução dessas ideias.

§  ADMIRÁVEL MUNDO NOVO x PRÁTICAS DE LEITURAS

O autor metaforicamente relaciona a  obra Admirável mundo novo de  Aldous Huxley (2005) e as práticas escolares em  torno do hábito de leitura na  escola pública brasileira.   Essa  obra ficcionária  apresenta  uma sociedade  utópica,  onde a criação e a educação dos cidadãos é gerida pelo Estado (Diretor de  Incubação  e  Condicionamento).

As crianças de casta elite (alfas,  de função intelectual e prestigio social)  e de casta não  elite (deltas, de  função braçal e  árdua lide), desde  bebês eram postas  a  engatinhar  em  ambientes agradáveis  e  floridos  repleto  de livros atraentes com capas coloridas e ilustrados.

As crianças alfas quando  tocavam nos livros ou  nas flores, um som  agradável e melodioso os envolvia criando  um ambiente agradável e  aprazível proporcionando um relacionamento afetivo entre o propenso leitor e o livro.

Já as deltas quando  os tocavam, um som  ruidoso era ouvido e  um maldoso choque elétrico  os  repelia  das  flores  e  dos  livros,  assim  associando  o  ato a desconforto e sofrimento.

Estas duas “classes” de crianças tiveram experiências diferentes de contato  com a  leitura,  aprenderam  o  sentimento “conjugal”  frente  ao  livro  conforme o interesse de projeto daquela sociedade (tipo da casta).

A exemplo  dessa metáfora,  certas práticas  escolares de  leitura oportunizam o interesse  e  aproximação, enquanto  que  outras, o  distanciamento  de sujeitos leitores dos livros.

§  SUJEITOS LEITORES x LIVROS

É  primordial  refletir  sobre  “como”  e “em  função  de  que”  é  articulado o relacionamento entre a leitura e os sujeitos leitores quando da sua aprendizagem escolar (escolarização).

Cotidianamente  nas  escolas,  a  relação entre  os  estudantes  e  a leitura  – aproximando-os  ou afastando-os  dos livros  – é  construída e  oferecida pelos professores  e  proporcionadas  pelas  escolas,  seja  através  de  práticas   e experiências de  leitura; pela  ausência delas,  ou, pelo  ínfimo interesse  dos professores com os livros e as leituras.

Como  se pode  incutir nas  pessoas (alunos,  professores, pais,  etc.) o  valor imensurável  intrínseco do  ato de  ler e  que é  imprescindível ser  cultivado, explorado e disseminado, se temos como cenário:

>  As Bibliotecas escolares fechadas e os livros às traças;
>  O temor das escolas em circular (empréstimo) os livros às pessoas;

§  DESENVOLVIMENTO x ENVOLVIMENTO

As políticas educacionais e o sistema  público de ensino, ao elegerem a  meta do “desenvolvimento” de  leitores hábeis,  competentes e  críticos, pouco contempla sólida  e maciçamente  o “envolvimento”  dos estudantes  com os  livros, com  a biblioteca, com a leitura.

De acordo com o autor, nesta obra, designa-se e devemos entender:

> “desenvolvimento”  –  é  relacionado  com  o  saber  que  direciona  para um afastamento (distanciamento)  racional, daquilo  cujo significativo  se pretende conhecer;
>  “envolvimento” – é movimento de aproximação, de contato afetivo com o  saber, de  uma  experiência  estética,  emocional,  sensível,  cujo  sentido  almeja  o estreitamento, possível  quando da  vivência numa  relação mútua  com os objetos culturais, inclusive, os livros e textos.

A escola não é apenas lugar de “desenvolvimento” da aprendizagem intelectual.  É também espaço de convívio  social e cultural, onde  é construído e partilhado  o conhecimento  coletivo,  pela interação  entre  os sujeitos  e  as manifestações culturais.

O “envolvimento” de diferentes sujeitos e diversos aspectos da cultura constitui pedra  fundamental  ao  “desenvolvimento”  humano  na  perspectiva  da  formação escolar. A partir  desse “envolvimento”, se  torna possível que  a relação entre professor e aluno cresça e “desenvolva”.

Em  torno   da  leitura,   faz-se  necessário   inicialmente,  um   processo  de “envolvimento”  entres os  estudantes (leitores  em formação)  e os  textos, os livros, as  coisas a  serem lidas,  e que  a posteriori,  haja um relacionamento significativo – e cada vez mais consciente de sua complexidade – entre eles.

Esclarecemos a oposição retórica entre “desenvolvimento” e “envolvimento”,  aqui postos,  em relação  à leitura  na escola,  pois talvez  haja a  gênese de  uma hipótese que explique  o porquê de  findo o período  escolar, quase de  contatos diários com autores, obras e textos:

>  Milhares de  estudantes das escolas  públicas declararem ódio  e repulsa pela leitura;
>  Justifique o show de livros e cadernos rasgados nos corredores das escolas, à cada ano letivo;
>  O fato de ascender ao  ensino fundamental (e completá-lo) sem antes  ter sido alfabetizado na educação básica.

Observados atentamente o desequilíbrio entre o “desenvolvimento” das habilidades e competências de leitura entre os escolares e o “envolvimento” dos alunos com a leitura  e com  o “mundo”  dos livros,  é notório  que a  instituição escolar  é corresponsável no processo de formação de leitores e na formação de práticas  de letramento.

É  imprescindível haver  aula de  leitura, cujo  propósito seja  o contato  e a aproximação dos livros e os textos com os leitores. Outra entidade fundamental à relação entre leitores e leituras na escola é a biblioteca escolar (be), cuja, é um dos espaços mais importantes à iniciação de leitores.

§  ESCOLA x BIBLIOTECA x LEITOR

Mesmo com a sinalização positiva do governo através de programas nacionais  como o PNLD (P.N. Livro Didático), o  PNBE (P.N. Bioblioteca Escolar) e o  PNLL (P.N. Livro e Leitura),  com vistas à  implantação e ampliação  do acervo das  be´s, o modus  operandi  é  ineficaz.  Mas  o  problema  nas  bibliotecas  públicas (bp) transcendem a esfera  do poder público,  pois são oriundos  de fatores culturais historicamente enraizados em nossa sociedade.

As  bibliotecas em  geral são  consideradas como  “templo do  saber”, com  seus espaços desagradáveis aos leitores  iniciantes. São estigmatizadas como  lugares de silêncio, de ordem, destinadas ao “sábio”, ao “erudito”, ao “pesquisado”,  ao “escritor”. Com as  be´s, além disso,  acresça-se o seu  ínfimo acervo e  espaço inadequado,  e, não  raro, a  ausência de  bibliotecário ou  alguém preparado  à função. Nesse prisma, muitas be´s não cumprem sua função (circulação de livros), sendo subutilizadas por uma pretensa preservação do acervo (depósito de livros).

§  CONSIDERAÇÃO FINAL

Diante  da  exposição  frente  ao  papel  da  biblioteca  como  construtora   do relacionamento  entre  leitores  e  livros, e  a  cogitação  que  em seu  modelo tradicional –  com sua  operação e  ambiente formal,  conservador, opressivo – o autor tece algumas indagações:

> Como  pode  a  biblioteca,  em  vez  de  aproximar  os  livros  dos leitores iniciantes, afugentá-los em benefício de uma suposta preservação do seu  acervo? Ou melhor, como elas podem funcionar como “espantalhos” de leitores?

> Que tipo de  relação entre leitores e  livros é possível ser  construída numa biblioteca que não nos permite ser os leitores que somos?

> Que  experiência  pode  nos   proporcionar  a  presença  carracunda  de   um bibliotecário mal-humorado, que se preocupa  apenas em monitorar o trânsito  dos leitores para preservar os livros de suas mãos curiosas?

Enquanto  os  governos  insistem  em políticas  de  distribuição  de  livros, as bibliotecas escolares continuam com esses impasses e cada vez mais abarrotadas e sem o devido  empenho com as  condições favoráveis e  corretas de acesso  ao seu acervo, tornando-as inócuas aos seus leitores.

Por  sua  função  mediadora,  os  professores  são  elementos  determinantes  no relacionamento entre os  sujeitos e a  cultura na escola.  Mas, para que  ocorra essa   aproximação  duradoura   (“envolvimento”)  é   fundamental  promover   as circunstâncias favoráveis à constituição de professores-leitores e a formação de alunos-leitores.

As escolas, as bibliotecas escolares e sobretudo os professores precisam inferir as condições mínimas, seja pela aproximação, pelo convívio, pelo  “envolvimento” para haja a promoção  do gosto pela leitura  e pela formação de  leitores, e que isto seja feito de modo espontâneo.

A leitura  é um  fenômeno humano,  e assim  assumindo nossa  própria humanidade, possamos criar  condições para  que a  construção das  relações entre leitores e livros se dê para um “gostar de ler”.

Os   indivíduos   que   convivem   e   são   responsáveis   pela   formação   da criança/adolescente – pais, professores e demais – são elementos influenciadores na construção de sujeitos leitores ou não-leitores.

A biblioteca não é nem deve  ser almoxarifado ou depósito, nem mesmo  de livros. (Antonio & Malba, 2011).

§  REFERÊNCIA

KLEBIS, Carlos Eduardo de Oliveira. Literatura na escola: problemas e tentativas de solução  In SILVA,  Ezequiel Theodoro  (org). Leitura  na Escola.  São Paulo: Global: 2008. Coleção: Leitura e Formação.

Carlos  Eduardo  de Oliveira  Klebis,  é doutor  em  Educação pela  Universidade Estadual de Campinas (2008), na  área de conhecimento, linguagem e  arte; mestre em Educação pela  Universidade Estadual de  Campinas (2006); graduado  em Letras (nas  modalidades  licenciatura  e bacharelado)  pela  Universidade  Estadual de Campinas (2002); atual professor universitário dos cursos de Letras, Pedagogia e pós-graduação em Gestão Escolar da  Faculdade Cenecista de Capivari (FACECAP)  e pesquisador da Unicamp na área de educação.

Veja também as postagens relacionadas abaixo:

  • UFAL-Biblioteconomia Aulas de 3a6/08/2010
  • UFAL Selecionados Vagas Remanescentes pelo ENEM Período de Matrícula
  • UFAL 2010 Segundo Semestre – Relação dos Selecionados
/h2>

Calendário de Aulas 1ª PERÍODO – Semana de 3 a 6 de Agosto de 2010

Dia Data Horário Disciplina Docente
Terça 03/08/2010 19h às 22:30h Editoração Profª LÍVIA LENZI
Quarta 04/08/2010 19h às 22:30h Introdução à Informática
Quinta 05/08/2010 19h às 22:30h Introdução à Biblioteconomia e à Ciência da Informação Profº MARCOS
Sexta 06/08/2010 19h às 22:30h Língua Portuguesa

Veja também as postagens relacionadas abaixo:

  • Leitura na escola – problemas e tentativas de solução
  • UFAL Selecionados Vagas Remanescentes pelo ENEM Período de Matrícula
  • UFAL 2010 Segundo Semestre – Relação dos Selecionados
/h2>