Com o surgimento dos comunicadores instantâneos (chats online, blogs, MSN, ICQ), surgiu também uma linguagem típica da internet. Ela é caracterizada pela agilidade e facilidade de escrita, e, por isso, é composta quase que inteiramente por abreviações – ou podemos até dizer por códigos. Aliás, se uma pessoa que não está acostumada a conversar em chats online, se deparar com a frase abaixo, dificilmente conseguirá entender muita coisa:

Pq vc naum xego na hr q eu t flei? Traduzindo, seria: “Por que você não chegou na hora em que eu te falei?”. Esse é o chamado “internetês“.

No início, a linguagem típica dos jovens na internet (p.ex: novidade = 9idade; não = naum; beleza = blz, dentre outros), parecia estar restrita aos chats, blogs e ICQs. O uso do “internetês”, no entanto, já influencia a escrita de adolescentes em sala de aula e preocupa educadores (alerta aos pais).

Dialeto DigitalO uso dessa linguagem ou dialeto, é fruto da primeira geração de jovens que foi alfabetizada, ao mesmo tempo em que, aprendia a se comunicar pela internet. A necessidade de se comunicar usando o teclado de forma ágil, velozmente fez com que o “internetês” se disseminasse pelos grupos de adolescentes usuários de internet.

Para especialistas em língua portuguesa, trata-se de um vício que prejudica a construção do texto dissertativo. O problema é que, nos jovens a linguagem que predomina é a coloquial(1), que no caso, sofre forte influência do meio. Então, corre-se o risco desse vício tornar-se linguagem única para essa faixa de idade.

Isso pode ser extremamente prejudicial na construção de textos como em redações para concursos, provas, entrevistas e futuramente no próprio trabalho.

A ocorrência desse fenômeno é menor em pessoas que já têm estabelecidos as linguagens coloquial e formal(2), mesmo que as mesmas utilizem o “internetês” quando usando a internet.

O principal problema do internetês é quando esta forma errada passa-se a virar rotina e causar dúvidas na hora da escrita correta.

Códigos do “internetês”:
blz (beleza)
koeh (qual é)
kra (cara)
ksa (casa)
lgl (legal)
mlk (moleque)
qndu (quando)
cmu (como)
xim (sim)
krac (caraca)
eh (é)
xempli (sempre)
ms (meus)
tdu (tudo)
q (que)
d (de)
kd (cadê)
v6 (vocês)
cntgu (contigo)
tbm (também)
fla (falar)
pq (por que)

Glossário:
(1) Linguagem Coloquial – é a linguagem usada no cotidiano em que não exige a observância total da gramática, de modo que haja mais fluidez na comunicação.
(2) Linguagem Formal – é a linguagem usada necessariamente para escrever textos acadêmicos, redações e trabalhos escolares ou relatórios.