A história de ousadia do profissional que recusou 13 propostas de emprego e um salário 40% maior para trabalhar numa empresa desconhecida

Em maio do ano passado, o engenheiro civil mineiro Marcelo Miranda, de 32 anos, voltava de uma temporada de quase dois anos de estudos na Universidade Stanford, na Califórnia, onde fazia mestrado em administração e negócios, para um ciclo de entrevistas de emprego no Brasil. Como queria regressar ao país após a conclusão do curso, ele vinha mantendo contato com amigos e ex-colegas de trabalho.
Antes mesmo de desembarcar no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, tinha 17 conversas agendadas com executivos de grandes multinacionais. No final de sete dias de reuniões, cafezinhos, almoços e jantares, Marcelo recebeu 13 propostas de emprego para trabalhar em grandes empresas brasileiras e multinacionais com escritório no país. Marcelo, no entanto, acabou optando por trabalhar numa empresa pequena, desconhecida e cuja sede fica em Porto Velho, Rondônia a construtora BS, fundada pelo catarinense Sidnei Borges dos Santos, de 34 anos, que começou a vida como pedreiro.
O salário atual de Marcelo é 40% mais baixo do que a média das ofertas que ouviu. Os benefícios, bem mais magros nada de carro, a que teria direito como executivo de uma grande empresa, de bônus polpudos ou pacote de ações por resultados.
Apesar da pouca idade, Marcelo tem um currículo respeitável. Do tipo que faz brilhar os olhos de qualquer profissional de recursos humanos. Ele é formado por uma boa escola, a Universidade Federal de Minas Gerais, e tem vivência no exterior, estudou recentemente nos Estados Unidos e passou quatro anos no Iraque, onde seu pai esteve a trabalho. É fluente em inglês e já ocupou posições de liderança bastante desafiadoras pelas empresas por onde passou Andrade Gutierrez, MRV e Caenge, obtendo bons resultados em todas elas.
Até agora, sua trajetória de carreira se assemelha à de milhares de jovens profissionais que souberam aproveitar as oportunidades que tiveram. Marcelo não vem de uma família rica, seu pai é um consultor que criou os três filhos sem grandes extravagâncias, nem teve padrinhos que lhe abrissem as portas do mercado de trabalho. Tudo que conseguiu foi pelo seu esforço e próprio mérito.
O engenheiro abriu mão do status de executivo na maior vitrine profissional do país para se juntar a um empreendedor visionário, que criou um método de construção inovador, usando moldes, como se fossem formas de bolo, para construir casas pré-fabricadas de 36 a 120 metros quadrados. O menor módulo custa 40 000 reais. O maior sai por 250 000 reais. O sistema de produção se assemelha ao deuma linha de montagem de carros. Com esse sistema, a BS Construtora, fundada em 1994, fabrica atualmente 19 casas por dia. A decisão de Marcelo de se juntar a Sidnei é emblemática, pois quebra alguns paradigmas.
O primeiro deles trata da percepção de que as maiores oportunidades de carreira estão nas grandes corporações. Centenas dos melhores profissionais que saem das universidades brasileiras consideradas de primeira linha pelo ranking do Ministério da Educação se engalfinham na seleçãodos programas de trainee, cujo foco é rejuvenescer a liderança nas empresas. No ano passado, o programa de trainee da AmBev teve 60 000 candidatos, o da Unilever teve 48 000 inscritos e o da Natura, cerca de 20 000. O segundo paradigma que a decisão de Marcelo contradiz é o de que as melhores oportunidades estão nas grandes metrópoles, principalmente nas grandes cidades da região Sudeste. A descentralização de empresas e empregos que está em curso no Brasil tem aberto mais postos de trabalho para técnicos e executivos fora do eixo Rio-São Paulo, principalmente no Norte e Nordeste do país.
A opção de Marcelo pela BS também vai de encontro à percepção de que as melhores oportunidades de aprendizado profissional estão nas multinacionais e nas grandes empresas nacionais. As pequenas e médias empresas brasileiras, que são as maiores empregadoras do país, vêm se profissionalizando em uma velocidade cada vez maior. Elas oferecem atualmente ótimas condições de crescimento e desenvolvimento, muitas vezes com maior autonomia operacional e de tomada de decisão do que nas empresas maiores. Por último, Marcelo escolheu trabalhar em uma construtora cujo foco são as classes de baixa e média renda no Brasil, um segmento econômico em expansão, em que a maioria das empresas deseja conquistar clientes.
Ainda assim, Marcelo pode quebrara cara. Ele, no entanto, parece não seimportar com isso. Acredita ter tomadoa decisão correta, que faz mais sentido para suas ambições pessoais. Outro ponto que conta muito, na avaliação do engenheiro, é a relação de confiança que tem com Sidnei, o fundador. Essa relação teve início durante a negociação que antecedeu a contratação de Marcelo e vem se consolidando no dia a dia. Todo o processo que levou Marcelo a aceitar a proposta de Sidnei tem muito a ensinar.
A primeira conversa entre os dois se deu em maio do ano passado, num restaurante na zona sul de São Paulo. Sidnei estava acompanhado da esposa, Eliane, sua sócia. Marcelo estava no Brasil para um ciclo de 17 entrevistas, que resultaram em 13 propostas de emprego (sendo uma delas para o cargo de diretor financeiro em uma gigante americana), mas ainda morava na Califórnia, nos Estados Unidos.
O engenheiro estava próximo de concluir um mestrado na Universidade Stanford. Muito ligada a empresas do Vale do Silício e com forte conteúdo de empreendedorismo, a escola é celeiro de profissionais brilhantes e inovadores, entre eles Sergey Brin, Larry Page e Orkut Buyukkokten os dois primeiros são fundadores do Google e o último, criador da rede social que hoje pertence ao Google. A BS era das últimas conversas na lista e Marcelo quase descartou o encontro. Quando o Sidnei me telefonou, já não tinha mais agenda, lembra. O engenheiro topou porque se comoveu com a disposição de Sidnei e Eliane, que se deslocaram de Porto Velho para São Paulo. A conversa durou cinco horas. Marcelo ficou de dar uma resposta e voltou para os Estados Unidos para se encontrar com a mulher e o filho. Cinco dias depois, aceitou a proposta. Em três semanas, ele desembarcou em Porto Velho para ser vice-presidente da BS.
Ainda assim, Marcelo pode quebrara cara. Ele, no entanto, parece não seimportar com isso. Acredita ter tomadoa decisão correta, que faz mais sentido para suas ambições pessoais. Outro ponto que conta muito, na avaliação do engenheiro, é a relação de confiança que tem com Sidnei, o fundador. Essa relação teve início durante a negociação que antecedeu a contratação de Marcelo e vem se consolidando no dia a dia. Todo o processo que levou Marcelo a aceitar a proposta de Sidnei tem muito a ensinar.
A primeira conversa entre os dois se deu em maio do ano passado, num restaurante na zona sul de São Paulo. Sidnei estava acompanhado da esposa, Eliane, sua sócia. Marcelo estava no Brasil para um ciclo de 17 entrevistas, que resultaram em 13 propostas de emprego (sendo uma delas para o cargo de diretor financeiro em uma gigante americana), mas ainda morava na Califórnia, nos Estados Unidos.
O engenheiro estava próximo de concluir um mestrado na Universidade Stanford. Muito ligada a empresas do Vale do Silício e com forte conteúdo de empreendedorismo, a escola é celeiro de profissionais brilhantes e inovadores, entre eles Sergey Brin, Larry Page e Orkut Buyukkokten os dois primeiros são fundadores do Google e o último, criador da rede social que hoje pertence ao Google. A BS era das últimas conversas na lista e Marcelo quase descartou o encontro. Quando o Sidnei me telefonou, já não tinha mais agenda, lembra. O engenheiro topou porque se comoveu com a disposição de Sidnei e Eliane, que se deslocaram de Porto Velho para São Paulo. A conversa durou cinco horas. Marcelo ficou de dar uma resposta e voltou para os Estados Unidos para se encontrar com a mulher e o filho. Cinco dias depois, aceitou a proposta. Em três semanas, ele desembarcou em Porto Velho para ser vice-presidente da BS.
Acompanhe mais um pouco dessa história no link http://vocesa.abril.com.br/desenvolva-sua-carreira/materia/pedreiro-contratou-executivo-523644.shtml#
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